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Quando a luz foge rápido demais: por que o celular salvou a foto daquela manhã

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A manhã estava gelada e eu estava terminando de arrumar a área externa quando a luz mudou de repente. Um brilho dourado atravessou a neblina como um fio quente rasgando o frio. Parei na hora. O celular estava no bolso, como sempre, quase uma extensão da mão. Antes que eu pensasse, ele já estava apontado para a cena. Fiz a foto rápido, quase no reflexo, como quem segura algo que está escapando pelos dedos. E aí veio o instinto de fotógrafa. Aquele pensamento automático: isso merece a câmera. Corri para pegá-la, porque é com ela que fotografo a maior parte das minhas imagens, aquelas em que quero profundidade, intenção e calma. Mas, quando voltei, a luz já tinha mudado de humor. A neblina se dissolvia, o dourado diminuía, e aquela atmosfera quase sagrada que me chamou tinha simplesmente desaparecido. Foi ali que caiu a ficha. Ainda bem que eu tinha fotografado com o celular. Não porque prefira o celular à câmera. Não porque um seja melhor ou pior. Mas porque, às vezes, a fotografia a...

Quando a câmera descansa e o olhar desperta: por que fotografar com o celular também é fotografia

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Alguns momentos simplesmente acontecem diante de nós, sem aviso, sem preparo, sem tempo para montagem de equipamentos. O sol se põe, a luz dourada toma conta de tudo e, por alguns segundos, parece que o mundo está pedindo para ser visto. Foi exatamente isso que vivi quando fiz a foto que ilustra este artigo. Eu estava sentada ao computador, no meu quarto, quando a luz começou a atravessar a janela. Era aquele dourado intenso que transforma qualquer canto comum em cenário cinematográfico. A câmera estava sem bateria, eu havia esquecido ela ligada, depois de transferir as fotos do dia anterior para o computador. E eu sabia: se demorasse alguns segundos a mais, a cena desapareceria. Peguei o celular, fui lá fora e registrei. Sem pensar, sem planejar, só sentindo o momento. Quero falar sobre duas coisas que essa experiência me lembrou de forma muito clara. A primeira é que fotografia feita com celular não é fotografia de segunda categoria. A segunda é que composição, linhas e perspectiva...