Quando a luz foge rápido demais: por que o celular salvou a foto daquela manhã
A manhã estava gelada e eu estava terminando de arrumar a área externa quando a luz mudou de repente. Um brilho dourado atravessou a neblina como um fio quente rasgando o frio. Parei na hora. O celular estava no bolso, como sempre, quase uma extensão da mão. Antes que eu pensasse, ele já estava apontado para a cena. Fiz a foto rápido, quase no reflexo, como quem segura algo que está escapando pelos dedos. E aí veio o instinto de fotógrafa. Aquele pensamento automático: isso merece a câmera. Corri para pegá-la, porque é com ela que fotografo a maior parte das minhas imagens, aquelas em que quero profundidade, intenção e calma. Mas, quando voltei, a luz já tinha mudado de humor. A neblina se dissolvia, o dourado diminuía, e aquela atmosfera quase sagrada que me chamou tinha simplesmente desaparecido. Foi ali que caiu a ficha. Ainda bem que eu tinha fotografado com o celular. Não porque prefira o celular à câmera. Não porque um seja melhor ou pior. Mas porque, às vezes, a fotografia a...