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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Desafio do Olhar | Dia 3: fotografar a sombra

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  O terceiro dia do Desafio do Olhar pedia algo simples na teoria e traiçoeiro na prática: fotografar uma sombra. Mas nem sempre a luz colabora. Os dias estavam nublados, o céu fechado, aquela luz difusa que não cria sombras duras, não desenha contornos, não provoca. Saí para fora algumas vezes, observei o terreno, as árvores, os cantos da chácara. Nada acontecia. E tudo bem. Nem todo desafio se resolve onde a gente imagina. Foi dentro de casa que a fotografia aconteceu. A sombra que aparece na imagem é da escada da casa onde estou morando agora, antiga casa do meu avô. Uma casa simples, construída há cerca de quarenta anos, mas carregada de história. A escada, especificamente, é ainda mais velha. Ela veio de uma casa anterior, desmontada há décadas, daquelas casas italianas antigas, com madeira pesada, corrimão entalhado à mão, desenhos feitos sem pressa e com muito saber. É curioso como algumas sombras carregam mais do que forma. Elas carregam tempo. Ao observar a sombra pr...

Desafio do Olhar | Dia 2: Fotografe a luz, não o objeto

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Saí com a câmera quase ao meio-dia. Horário ingrato, dizem. Sol duro, sem gentileza, sem sombra alongada para embelezar nada. Justamente por isso. O desafio de hoje pedia para fotografar a luz. E luz, para ser vista, precisa de contraste. Precisa de escuro. Então o caminho foi quase óbvio: procurar sombra. Caminhando pela chácara, encontrei a camélia. A flor preferida da minha avó. Curioso como algumas presenças continuam organizando nosso olhar mesmo quando já não estão ali. A planta estava completamente sombreada, exceto por um feixe preciso de luz atravessando as folhas. Não era uma luz espalhada. Era quase cirúrgica. Ali estava o que eu precisava. A folha surgiu não como assunto, mas como superfície. Um lugar onde a luz pudesse acontecer. Fotografei pensando nisso o tempo todo: não é sobre a folha, é sobre o que toca a folha. Ela é coadjuvante. A protagonista é a luz. Depois, a decisão pelo preto e branco veio quase sozinha. Cor distraía. Eu queria evidenciar volume, textura,...

Desafio do Olhar | Dia 1: fotografar o que você ignora

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  Essa foto nasceu de um desafio simples e, justamente por isso, profundo: fotografe o que você ignora . A porta da imagem faz parte da casa em que estou morando temporariamente. Uma casa que foi do meu avô. Abro e fecho essa porta todos os dias. Passo por ela incontáveis vezes. E, no alto, sempre esteve um chapéu pendurado. O chapéu da foto não é o dele. Mas poderia ser. Meu avô sempre deixava o chapéu pendurado ali. Era o gesto automático antes de sair para lidar na chácara. Colocar o chapéu, abrir a porta, seguir o dia. Desde que me mudei para cá, pendurei um chapéu naquele mesmo lugar, quase como um ritual silencioso para manter essa presença viva. A ironia é que eu quase nunca uso o chapéu. Esqueço. Ele fica ali, imóvel, enquanto eu passo. E passo. E passo. Até que um desafio me obrigou a parar. Quando a proposta do dia foi fotografar aquilo que ignoro, foi impossível não perceber o quanto essa cena fazia parte da minha rotina e, ao mesmo tempo, o quanto ela estava invisív...

Um desafio fotográfico para destravar o olhar

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Tem dias em que a câmera está ali, ao alcance da mão, mas o olhar parece cansado. Nada chama atenção. Nada parece digno de ser fotografado. Se você já sentiu isso, bem-vindo ao clube mais numeroso da fotografia. A trava criativa não costuma chegar fazendo barulho. Ela se instala devagar, disfarçada de rotina, excesso de referências ou cobrança demais sobre o resultado. De repente, tudo precisa ser bom, bonito, publicável. E aí o gesto simples de fotografar vira um peso. Pensando nisso, criei um desafio fotográfico em PDF , simples e direto, para quem quer voltar ao essencial: observar antes de clicar. O primeiro dia já diz muito sobre a proposta: fotografe o que você ignora . Aquilo que sempre esteve ali, mas nunca mereceu sua atenção. Um canto da casa, uma sombra recorrente, um objeto banal. Nada de buscar o extraordinário. A ideia é justamente treinar o olhar para o comum. Esse desafio não é sobre técnica impecável, equipamento ou performance. É sobre presença. Sobre sair do pilo...

Eu e o Flash: Uma Trégua Temporária no Ensaio de Ballet

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Eu sempre tive um leve ranço do flash. Não um ódio declarado, mas evito usar flash sempre que posso. Só que fotografar bailarinas em estúdio é outro jogo. E nesse jogo, o flash manda. Então fiz o que qualquer fotógrafa teimosa faz. Transformei uma sala da Academia de Dança Pró-Arte em estúdio. Um pano branco gigante pendurado e dois speedlights. Um deles com softbox, tentando suavizar a luz sem perder personalidade. O outro encarregado de iluminar o fundo para que o pano ficasse realmente branco, e as sombras das bailarinas no pano ficassem bem sutis. As bailarinas chegaram impecáveis e tranquilas. Nada de ansiedade. Elas mandam no próprio corpo desde pequenas, então posar é quase extensão natural da respiração. Cada gesto parecia coreografado para a câmera. Às vezes eu acho que elas já nascem sabendo trabalhar com luz. A parte boa é que, quando você fotografa alguém que domina cada centímetro do próprio movimento, não existe luta. Existe fluidez. Eu só precisava acompanhar, ajustar o...

O diário que promete acordar seu olhar fotográfico

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  Recentemente comprei “Use este diário se quer tirar fotos incríveis”, de Henry Carroll. Senti que precisava de algo novo: uma faísca diferente para reacender o olhar quando a inspiração parecia sumida. Ainda não comecei todos os desafios do livro, mas já percebi algo importante: ele não é um manual técnico tradicional, cheio de regras inflexíveis. É um guia de possibilidades. Por isso quero convidar você a embarcar comigo nessa jornada. A ideia é despertar o instinto de fotografar de novo. Quem é Henry Carroll e o que esse livro propõe Henry Carroll é fotógrafo e escritor. O livro dele reúne uma série de “prompts” ou “desafios fotográficos” elaborados para estimular a criatividade: composição, luz, experimentação, percepção. A proposta é clara: não importa se você usa câmera profissional, compacta ou celular; não há jargões técnicos complicados; o foco é o olhar, a observação, a interpretação. Ou seja: o livro serve tanto para quem já domina técnica quanto para q...