Dia 2 do Desafio: Entre o Mato Alto e a Memória
Às vezes, fotografar é como revisitar um lugar que existe mais dentro de você do que no mundo real. Foi assim que comecei o segundo dia do meu desafio: buscar beleza onde, à primeira vista, não há motivo para encontrá-la. Nada de flores, poentes cinematográficos ou paisagens que se arrumam sozinhas. A ideia era simples e incômoda: fotografar o feio . Saí caminhando pela estrada e ali, no fim do percurso, estava a chácara da minha tia-avó. Um lugar onde já fui criança despreocupada, e que hoje repousa sob um silêncio que parece guardar tudo o que já aconteceu ali. Da estrada, consegui vê-lo: o celeiro velho, ainda de pé, firme no seu desalinho. O gramado onde um dia brinquei tinha sido engolido pelo mato alto, como se o tempo tivesse decidido deixar as coisas crescerem sem pedir licença. E foi exatamente ali que percebi: o desafio tinha encontrado sua fotografia antes mesmo de eu posicionar o tripé. Ajustei a câmera com calma. Não era uma cena para pressa, mas para escuta. Usei minha...