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Desafio do Olhar | Dia 3: fotografar a sombra

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  O terceiro dia do Desafio do Olhar pedia algo simples na teoria e traiçoeiro na prática: fotografar uma sombra. Mas nem sempre a luz colabora. Os dias estavam nublados, o céu fechado, aquela luz difusa que não cria sombras duras, não desenha contornos, não provoca. Saí para fora algumas vezes, observei o terreno, as árvores, os cantos da chácara. Nada acontecia. E tudo bem. Nem todo desafio se resolve onde a gente imagina. Foi dentro de casa que a fotografia aconteceu. A sombra que aparece na imagem é da escada da casa onde estou morando agora, antiga casa do meu avô. Uma casa simples, construída há cerca de quarenta anos, mas carregada de história. A escada, especificamente, é ainda mais velha. Ela veio de uma casa anterior, desmontada há décadas, daquelas casas italianas antigas, com madeira pesada, corrimão entalhado à mão, desenhos feitos sem pressa e com muito saber. É curioso como algumas sombras carregam mais do que forma. Elas carregam tempo. Ao observar a sombra pr...

Um desafio fotográfico para destravar o olhar

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Tem dias em que a câmera está ali, ao alcance da mão, mas o olhar parece cansado. Nada chama atenção. Nada parece digno de ser fotografado. Se você já sentiu isso, bem-vindo ao clube mais numeroso da fotografia. A trava criativa não costuma chegar fazendo barulho. Ela se instala devagar, disfarçada de rotina, excesso de referências ou cobrança demais sobre o resultado. De repente, tudo precisa ser bom, bonito, publicável. E aí o gesto simples de fotografar vira um peso. Pensando nisso, criei um desafio fotográfico em PDF , simples e direto, para quem quer voltar ao essencial: observar antes de clicar. O primeiro dia já diz muito sobre a proposta: fotografe o que você ignora . Aquilo que sempre esteve ali, mas nunca mereceu sua atenção. Um canto da casa, uma sombra recorrente, um objeto banal. Nada de buscar o extraordinário. A ideia é justamente treinar o olhar para o comum. Esse desafio não é sobre técnica impecável, equipamento ou performance. É sobre presença. Sobre sair do pilo...
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  Há fotografias que nascem como um sopro, rápidas, frágeis, quase tímidas. E, mesmo assim, carregam dentro delas um mundo inteiro. “Primavera Silenciosa” foi assim. Naquele fim de tarde, a pereira da chácara estava no auge da floração: galhos secos segurando pequenas explosões brancas que brilhavam como se tivessem luz própria. Era um espetáculo curto; eu sabia. Flores que duram dias antes de serem substituídas por folhas, e depois, se o tempo permitir, frutos. A natureza não pede permissão para mudar. Ela apenas muda. E eu sempre me vejo tentando acompanhar esse ritmo que não espera ninguém. A luz estava baixa, quase tímida demais para a Canon T7, uma câmera de entrada, simples, que muitos descartariam para uma foto assim. Mas, às vezes, o equipamento é só o corpo. O olhar faz o resto. E naquele instante, meu olhar pediu silêncio, profundidade e um pouco de dramaticidade. Usando uma lente 50mm, com abertura em f/3.2 , escolhi isolar as flores mais próximas, deixando o fundo ...