Há fotografias que nascem como um sopro, rápidas, frágeis, quase tímidas. E, mesmo assim, carregam dentro delas um mundo inteiro.
“Primavera Silenciosa” foi assim.
Naquele fim de tarde, a pereira da chácara estava no auge da floração: galhos secos segurando pequenas explosões brancas que brilhavam como se tivessem luz própria. Era um espetáculo curto; eu sabia. Flores que duram dias antes de serem substituídas por folhas, e depois, se o tempo permitir, frutos.
A luz estava baixa, quase tímida demais para a Canon T7, uma câmera de entrada, simples, que muitos descartariam para uma foto assim. Mas, às vezes, o equipamento é só o corpo. O olhar faz o resto. E naquele instante, meu olhar pediu silêncio, profundidade e um pouco de dramaticidade.
Às vezes, quando fotografo flores, sinto que estou tentando guardar algo que está indo embora enquanto olho. E talvez seja por isso que essa imagem tenha ganhado o 3º lugar na Expoflor. Não pela técnica, mas pela verdade que ela carrega.
Foi aí que entendi: não fotografei a pereira. Fotografei o instante entre o antes e o depois. Fotografei aquilo que não volta.
Configurações da Foto – Para quem gosta dos bastidores
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Câmera: Canon EOS Rebel T7
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Lente: 50mm
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Abertura: f/3.2
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Velocidade: 1/320 s
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ISO: 1600
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Modo de medição: Média central
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Situação de luz: fim de tarde com iluminação baixa
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Intenção: destaque seletivo das flores, fundo suave e atmosférico, contraste entre delicadeza e densidade

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